FONSECA

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As Vinhas

Fonseca


Por mais de cem anos, os vinhos da Quinta do Cruzeiro têm tido uma importante contribuição nos lotes do vinho do Porto Fonseca Vintage.

A longa ligação que a casa Fonseca tem com a Quinta do Cruzeiro julga-se ter começado por volta de 1870. Os seus vinhos têm sido uma componente essencial no lote do Porto Vintage da Fonseca desde 1912. A propriedade está situada perto da aldeia de Vale de Mendiz, na margem oriental do rio Pinhão, no coração da demarcação original de 1756. A Quinta do Cruzeiro obteve o estatuto de feitoria em 1761, a classificação máxima então concedida a uma vinha de vinho do Porto.

Os terraços de vinhas da propriedade descem em cascata pelas encostas de um íngreme contraforte que se ergue no vale do Pinhão. Debruçadas sobre o cume e com vista para as vinhas estão a tradicional casa da quinta e a adega. O rio Pinhão serpenteia na base da propriedade através de um perfumado desfiladeiro arborizado que define o limite inferior da quinta. A maior parte das 47.000 videiras da Quinta do Cruzeiro estão plantadas na parte do contraforte que tem exposição a sul e a oeste . A Touriga Francesa e a Tinta Roriz, as quais produzem os seus melhores resultados em pleno sol, são as principais castas nesta parte da vinha, ao lado de menores proporções de Tinta Amarela, Touriga Nacional e outras castas clássicas de vinho do Porto. Em contraste, os terraços virados a norte proporcionam as condições ideais para a Tinta Barroca, que prefere um ambiente mais fresco e mais sombrio. Os terraços mais baixos e mais abrigados , que estão mais perto do ar parado do rio, são os mais quentes, enquanto os que estão situados nas elevações superiores, cerca de 70 metros mais acima, são refrescados pela brisa. Os solos do vale do Pinhão são relativamente férteis comparados com os solos rochosos e mais áridos do Douro oriental. Como resultado, as vinhas na Quinta do Cruzeiro mantêm o seu vigor e produzem vinhos equilibrados com uma excelente acidez, mesmo em anos quentes e secos.

Em 1973, a Fonseca decidiu comprar a Quinta do Cruzeiro ao seu proprietário, Luís António Carneiro, de forma a assegurar a ligação histórica que esta quinta tinha à empresa. A compra foi seguida de uma grande reconversão levada a cabo sob a supervisão de Bruce Guimaraens, o diretor das propriedades da Fonseca. Embora a maior parte da propriedade tenha sido redesenhada e replantada durante este período, uma área substancial de vinha velha, localizada perto da casa, foi deixada intacta e ainda hoje continua a produzir.

A área de vinha velha foi posteriormente ampliada com a aquisição de uma pequena e tradicional propriedade conhecida como Soalheira, situada perto da estrada entre o portão principal do Cruzeiro e a aldeia de Vale de Mendiz. Os seus amplos terraços virados a sul estão plantados com uma mistura controlada das castas Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca.

Na década de 70, a construção de socalcos tradicionais na região do Douro há já muito que deixara de ser viável. Para além disso, o aumento dos custos tornou necessário prever um certo grau de mecanização e para isso eram necessários terraços com um melhor acesso. A solução foi encontrada na construção dos chamados patamares, isto é, amplas plataformas que seguem os contornos da encosta e e que estão separados por taludes altos. A quinta do Cruzeiro foi uma das primeiras propriedades a aplicar esta técnica, tornando-se pioneira na onda de reconversões das vinhas ao longo do Douro, a qual começou na década de 70 e continuou até à década seguinte.

A reconversão também envolveu fazer a correspondência correta de cada casta com a sua localização ideal dentro da vinha, fazendo com que cada terraço tenha uma única casta adequada às condições específicas de crescimento do patamar. No Douro, pode haver variações substanciais na altitude, exposição e orientação, mesmo dentro da mesma vinha. A localização correta das castas é essencial para obter os melhores resultados do terroir. Embora o plantio de blocos com uma única casta não fosse algo novo, pois já tinha sido feito para fins de pesquisa (Dick Yeatman, presidente da Fonseca entre 1949-1966, plantou os primeiros blocos monocasta em 1927), a verdade é que ainda não tinha sido praticado em grande escala. Mais uma vez, a Fonseca foi uma pioneira nesta área.

As técnicas e a filosofia de sistematização da vinha acabaram por evoluír posteriormente (ver Quinta do Santo António). contudo, a experiência adquirida na quinta do Cruzeiro no início dos anos 70 estabeleceu as bases para a experiência e liderança da Fonseca nesta matéria.

Os vinhos da quinta do Cruzeiro são produzidos de acordo com princípios tradicionais bem testados. As uvas são selecionadas e vindimadas à mão, sendo transportadas para a adega em pequenas caixas para garantir que cheguem em perfeitas condições. Como em todas as quintas Fonseca, as castas são vindimadas e fermentadas juntas para garantir que os vinhos fiquem harmoniosos e completos. A adega, com o tecto em vigas de madeira, está equipada com cinco lagares de granito, cada um com capacidade para 10 pipas (cerca de 5.500 litros). Aqui, as uvas são esmagadas e pisadas a pé para libertar das peles os taninos, a cor e o aroma antes que o sumo em fermentação seja fortificado e se torne em vinho do Porto, o qual é depois deixado a repousar até à primavera do ano seguinte.

Por mais de cem anos, os vinhos da Quinta do Cruzeiro têm tido uma importante contribuição nos lotes do vinho do Porto Fonseca Vintage. Os vinhos do Cruzeiro também têm sido uma componente essencial nos vinhos do Porto Guimaraens Vintage, os quais foram lançados em 1930 e são produzidos em anos em que se produzem vinhos do Porto Vintage mais fáceis e de maturação mais precoce. Acima de tudo, estes vinhos ostentam um frutado concentrado e profundo, tão típico de muitas vinhas do Vale do Pinhão, mas atingindo, de forma particular no Cruzeiro, notas de fruta mais vibrantes e nítidas..

No lote de vinho do Porto Vintage, o Cruzeiro fornece o núcleo denso de frutos negros e taninos. Este é depois envolvido pelos ricos e suculentos sabores a compota e pela textura aveludada dos vinhos do Panascal, sendo ainda sobreposto pelos aromas exóticos e inebriantes da quinta de Santo António. A fusão dos vinhos destas três diferentes propriedades explica a característica de multidimensionalidade que se encontra nos vinhos do Porto Vintage da Fonseca e a sua capacidade de continuar a emanar aromas opulentos e complexos, que são a marca do estilo da casa Fonseca, ao longo de décadas de envelhecimento em garrafa.