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As Vinhas

Fonseca


Quinta do Panascal

O extremo norte do rio Távora, onde o seu vale se espraia antes de se juntar ao rio Douro, cerca de 4 quilómetros a oeste da localidade do Pinhão, tem sido considerado como a origem dos melhores vinhos do Porto.

O extremo norte do rio Távora, onde o seu vale se espraia antes de se juntar ao rio Douro, cerca de 4 quilómetros a oeste da localidade do Pinhão, tem sido considerado como a origem dos melhores vinhos do Porto. Sobretudo os premiados vinhos de uma encosta especial, situada na margem direita do Távora, na freguesia de Valença do Douro, conhecida como Panascal.

O local foi denominado a partir das touceiras de Panasco, a vegetação rasteira Dactylis glomerata, que proliferava por toda a encosta. A fama desta área é contada nas palavras de um velho ditado: "Do Roncão e Panascal vêm os melhores vinhos de Portugal".

Muito embora se acredite que as vinhas do Panascal tenham sido aí cultivadas desde o início do século XIX, só há relativamente pouco tempo é que estas se constituíram numa propriedade de tamanho expressivo. O Visconde de Vila Maior, grande autoridade do século XIX sobre as vinhas do Douro, menciona que em 1869 a área continha cinco parcelas de terreno pertencentes a viticultores particulares. Estas caíram no abandono após a devastação causada pela filoxera, a qual destruiu muitas das vinhas do Douro entre as décadas de 1860 e 70 até que, no início do século XX, foram reunidas numa única propriedade de maiores dimensões conhecida como Quinta do Panascal.

Em meados do século XX, a quinta tinha sido adquirida pelo Coronel José Pacheco, membro de uma proeminente família de proprietários durienses, e foi precisamente à família Pacheco que a Fonseca comprou a propriedade em 1978.

Ao contrário das quintas situadas no vale do Pinhão, como a quinta de Cruzeiro e a de Santo António, as quais tiveram uma longa ligação histórica com a empresa, o Panascal não era tradicionalmente um fornecedor da Fonseca. No entanto, a empresa estava ciente da excelente reputação da propriedade e vislumbrou uma oportunidade de converter essa localização privilegiada numa vinha tecnicamente avançada que produzisse vinhos adequados ao estilo da casa Fonseca.

Uma série de fatores permite fazer da Quinta do Panascal um vinhedo excecional. A sua ampla e inclinada encosta virada a oeste e sudoeste, significa que toda a vinha está bem exposta à luz solar. As vinhas nas íngremes encostas inferiores, juntas ao rio Távora, estão envoltas pelo ar ainda quente retido entre as margens íngremes do estreito vale. Nesta área, conhecida como Torrão, os vinhos são densos, aveludados e deliciosos, com uma poderosa fruta negra entrelaçada com sabores de alcaçuz e de chocolate. Nas encostas superiores, que se elevam a cerca de 400 metros acima do nível do mar, o declive é mais suave e as vinhas são arrefecidas pelo vento, produzindo vinhos mais elegantes, finamente perfumados e com uma vibrante acidez. Estas diferentes elevações permitem que a propriedade produza vinhos que combinam fruta rica e poderosa com complexidade aromática, sendo isto a pedra angular do estilo da casa Fonseca.

O trabalho de reconstrução começou logo após a compra da propriedade. Com a exceção de dois hectares de vinha velha plantadas em socalcos tradicionais na margem do Távora, conhecidos como Vinha do Rio, as íngremes e inclinadas encostas inferiores foram reconvertidas para patamares, que são terraços modernos separados por taludes altos, usando a experiência adquirida durante a reconstrução da Quinta do Cruzeiro.

As encostas suaves na parte superior da quinta foram plantadas em fileiras verticais utilizando a técnica de vinha ao alto. Uma dessas parcelas, plantada em 1985, foi convertida em 1992 para viticultura biológica. Com uma área inicial de dois hectares, foi posteriormente alargada para seis hectares. Estas parcelas foram uma das primeiras experiências em viticultura biológica no Vale do Douro, as quais promoveram muita da experiência e conhecimento que apoiaria mais tarde o crescimento do modelo de vinha sustentável, desenvolvido por David Guimaraens e pelo diretor de viticultura, António Magalhães.

A técnica de plantio em linhas verticais foi aperfeiçoada em 1995 com a criação da pioneira vinha do Vale da Régua. Esta vinha segue um método aperfeiçoado pela Fonseca conhecido como plantio matriz. Cada fila é plantada com uma única casta mais adequada ao local. As filas localizadas no cume são plantadas com Tinta Roriz, que exige solos secos em pleno sol. A Touriga Francesa é plantada em locais baixos, onde o solo é mais fértil e onde os seus lançamentos, mais frágeis que os de outras castas, estão protegidos do vento. Na encosta, as posições mais cimeiras, mais arejadas e onde o solo é muitas vezes mais pedregoso e com melhor drenagem, proporcionam as melhores condições para a plantação da Touriga Nacional.

Embora as castas sejam plantadas em filas separadas, são no entanto vindimadas e fermentadas juntas. A produção de vinhos no Panascal, como nas outras propriedades da Fonseca, segue os princípios tradicionais. No piso térreo da casa da quinta estão os lagares onde as uvas são pisadas, bem como as cubas de madeira onde o vinho do Porto é deixado a repousar.

A Quinta do Panascal é agora a principal propriedade da Fonseca. Além de dar um importante contributo para os lotes dos vinhos do Porto vintage clássicos Fonseca, a Quinta do Panascal também tem lançado, ao longo de mais de trinta anos, vinhos do Porto vintage single quinta produzidos exclusivamente a partir da melhor produção da propriedade. Embora estes vinhos sejam enviados para os mercados de todo o mundo, também podem ser adquiridos na loja da propriedade. Os visitantes são bem-vindos no Panascal ao longo do ano para uma visita às suas vinhas ou para assistir à produção de vinho durante as vindimas.